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Nem
sempre a cefaléia, popular dor de cabeça, tem causa neurológica. O problema pode
estar relacionado com uma disfunção temporo-mandibular que precisa ser tratado
pelo dentista. Conforme a professora do curso de Odontologia da Universidade
Anhanguera-Uniderp, Aline Terra, as pessoas acreditam que esse profissional só
cuida de dente, mas não é verdade. “O trabalho do dentista também envolve as
estruturas responsáveis pelo processo da mastigação e da deglutição”, esclarece.
A professora explica que a dor de cabeça pode também estar relacionada a um
hábito errado. “O Bruxismo – ranger dos dentes - pode levar ao funcionamento
anormal dos músculos da mastigação e desencadear dor na região da cabeça. Nestes
casos específicos, quem vai tratar é o cirurgião dentista”, ressalta.
Da mesma maneira que a musculação excessiva numa academia, ou o caminhar demais
gera dor no músculo da perna, a utilização excessiva ou inadequada dos músculos
da mastigação também poderá desencadear não só sintomas de dolorimento, como de
formigamento, pontadas, etc. “Se você trabalhar demais os músculos da
mastigação, mascando chiclete o dia inteiro, apertando os dentes quando está
nervosa, dormindo em posição errada ou trabalhando numa posição inadequada
ergonomicamente, irá forçar os músculos a trabalhar mais ou de forma incorreta”.
Ela lembra que não existe forma específica para a própria pessoa identificar o
problema, só o profissional tem condições de avaliar e diagnosticar
corretamente. “O tratamento na maioria dos casos é simples, não invasivo,
baseando-se principalmente na mudança de comportamentos inadequados e no
tratamento local do(s) músculo(s) afetado".
É importante saber que cefaléia pode não ter origem neurológica. Há uma série de
fatores que podem levar a essa causa, inclusive, o mau uso do aparato
mastigatório. “O complexo Policlínico da Universidade Anhanguera-Uniderp tem
atendido vários pacientes com esse problema”, comenta a professora.
De acordo com Aline Terra, a placa de uso noturno, é apenas um dos recursos para
tratamento. “O maior foco de abordagem tem que ser o comportamento e trazer para
o nível consciente os hábitos que o paciente está desenvolvendo. A placa é um
meio auxiliar no tratamento, não é o foco básico. Ela pode ser utilizada
naqueles casos em que não se consegue remissão dos sintomas. São duas frentes de
tratamento: a orientação da alteração do comportamento e o tratamento do músculo
que está alterado, isso é feito através de exercícios, alteração de temperatura
– quente e frio – no músculo, não necessariamente com a placa. É preciso atingir
a causa para resolver o problema, não adianta nada colocar um aparato na boca e
não resolver a origem”, orienta, lembrando que cada caso precisa ser avaliado
individualmente.
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